Livro: “Novo Aeon, Raul Seixas no torvelinho de seu tempo”

Autor: Vitor Cei
Editora: Mondrongo
Ano de Lançamento: 2010 (2º Edição – 2019)

Release

A segunda edição do livro “Novo Aeon: Raul Seixas no torvelinho de seu tempo”, de Vitor Cei, foi publicada pela editora baiana Mondrongo.

Vitor Cei, doutor em Estudos Literários e professor do Departamento de Línguas e Letras da Universidade Federal do Espírito Santo, explica que o livro estuda a utopia da Sociedade Alternativa apresentada por Raul Seixas em suas músicas. A doutrina do Novo Aeon, Nova Era, foi elaborada pelo escritor inglês Aleister Crowley na obra “Os Livros Sagrados de Thelema”, traduzida por Vitor Cei e publicada pela editora Madras em 2018. As ideias de Crowley foram muito influentes na contracultura das décadas de 1960 e 1970, impulsionando trajetórias existenciais de grande força contestatória, de artistas como Raul Seixas, que acompanhou o movimento alternativo e lançou sua música à condição de espírito do seu tempo.

Vitor Cei analisa a discografia de Raul Seixas à luz da multiplicidade de problemas que formam nossa experiência cultural. O autor pontua, nas músicas do Raul, as ressonâncias das questões que animaram o torvelinho do seu tempo: autoritarismo, censura, desbunde, contracultura, ocultismo, indústria cultural, melancolia e niilismo.

Análise

Sérgio da Fonseca Amaral, professor do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFES, escreve na apresentação da obra que “o leitor encontrará no texto de Vitor uma elaborada e intrincada análise de um músico com sua época; de um músico agonístico, engajado na busca de transformar a percepção apostando em métodos por vezes pouco ortodoxos. Assim, o trabalho faz circunvolução em torno de um artista, mas, ao fazer isso, perscruta um país, uma época e um mundo em formação”.

Wilberth Salgueiro, diretor da Editora da UFES e professor do Programa de Pós-Graduação em Letras, afirma no posfácio que “este estudo de Vitor vem em boa hora: muito além da celebração, é um convite à cerebração. Em síntese, este livro aciona em nós os prazeres de pensar música e história – ao som, alto e bom som, de Raul Seixas”.

O autor acredita que a pesquisa já terá sido frutífera se for capaz de estimular a escuta da obra de Raul Seixas, trazendo à reflexão os problemas políticos, existenciais e socioculturais que marcaram seu tempo, num questionamento das conexões entre produção cultural e vida social, detectando, ampliando e registrando alguns problemas do Brasil. Ele espera que cada leitura conduza a outros desdobramentos possíveis, apontando para novos problemas e facetas da nossa experiência cultural múltipla.

Sobre o autor

Vitor Cei Santos nasceu em Vitória no dia 02 de maio de 1983. É doutor em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com doutorado sanduíche na Universidade Livre de Berlim, com mestrado em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo. Trabalha como professor do Departamento de Línguas e Letras da UFES.

Mais informações sobre o evento de Lançamento de “Novo Aeon: Raul Seixas no torvelinho de seu tempo”.
Leia e saiba mais no site da “Editora Mondrongo”.

Fonte: Vitor Cei e Editora Mondrogo

Livro: “Rita Lee, uma autobiografia”

Autor: Rita Lee
Editora: Globo Livros
Ano de Lançamento: 2016

Release da Editora

Nos últimos tempos eu tive um privilégio pra lá de especial: vi Rita escrever sua biografia. Era um momento que nem em meus sonhos mais loucos ousei experimentar. Como jornalista e curioso, sempre gostei de livros assim. História de gente interessante me move.  E vi nascer, daquelas mãos de fada com sua estrela de sete pontas tatuada, a melhor bio que já li na vida. Sem exagero.

No texto, Rita é de uma honestidade… Muitas vezes brutal. Que contrasta com sua doçura e com tanto amor e leveza. Sim, ela consegue colocar no mesmo capítulo faces tão diferentes e emoções tão distintas. Do primeiro disco voador ao último porre, Rita é consistente. Corajosa. Sem culpa nenhuma. Tanto que, ao ler o livro, várias vezes temos a sensação de estar diante de uma bio não autorizada, tamanha a honestidade nas histórias. A infância e os primeiros passos na vida artística; sua prisão em 1976; o encontro de almas com Roberto de Carvalho; o nascimento dos filhos, das músicas e dos discos clássicos; os tropeços e as glórias. Está tudo lá.

E você pode ter certeza: essa é a obra mais pessoal que ela poderia entregar de presente para nós. Rita cuidou de tudo. Escreveu, escolheu as fotos e criou as legendas – e até decidiu a ordem das imagens -, fez a capa, pensou na contracapa, nas orelhas… Entregou o livro assim: prontinho. Sua essência está nessas páginas. E é exatamente desse modo que a Globo Livros coloca a autobiografia da nossa estrela maior no mercado.

Sempre tive a certeza de que Rita é o maior compositor que já pisou nesse planeta (acho ruim escrever no gênero masculino, mas só assim para não deixar dúvidas de que ela está no topo dos topos). Através de suas canções, ela entrega os segredos da vida. Emoções e temas – muitas vezes complicados de se descreverem – aparecem de forma fluida, limpa, contundente. São revelações. Quem nunca se identificou com uma música dela? Quem é que não tem uma história com sua trilha sonora? É inegável sua importância para a cultura mundial. E com uma voz… uau! Jamais igualada.

Dito isso, musicalmente a sua importância é inegável. Agora, em 2016, Rita se reinventa. Mais uma vez. Nessa, como escritora. E das melhores! Mais do que uma celebração da vida de Rita, esse livro é uma sorte nossa, que vivemos na mesma época em que ela, por saber de sua história através da própria. E, mais do que sua vida, Rita entrega aqui parte importante da história do país, da cultura mundial. Conta passagens, descreve costumes e mudanças pelas quais passamos nos últimos anos.

Em um de seus inúmeros sucessos, Rita se descreve como ‘uma pessoa comum, um filho de Deus’. Ao ler esse livro, fica provado: comum é tudo o que a vida dela não é. Convido vocês a lerem cada página. E depois me digam se não estou certo. Quanto a você, Rita, só me resta dizer: obrigado por dividir sua história com a gente.

– Guilherme Samora é jornalista e estudioso do legado cultural de Rita Lee.

Leia e saiba mais no site da “Globo Livros”.

– Leia a matéria sobre o livro no site do jornal “O Povo”.